domingo, 17 de abril de 2011

O MAIOR SEDUTOR

O homem delira com as possibilidades de um protetor solar. Sonha ser abordado por uma desconhecida na praia. Ela deitada, sozinha e indefesa, com mínimas peças, implorando com voz rouca de tele-sexo: – Por favor, não alcanço minhas costas, me ajuda? Mas o mesmo garanhão não é capaz de atender ao pedido recém feito pela própria mulher. Não sustenta nenhuma fantasia com quem já dorme. Faz a contragosto, com desleixo e obrigação. Realmente envergonhado da tarefa diante dos amigos. Esfrega ao invés de passar. Como se o creme branco e cheiroso fosse um rosado e pegajoso caladryl. – Calma, amor, senão me queimo. – Queimado está meu filme. Não serão os movimentos imaginados e circulares de esponja, mas gestos econômicos e rudes de lixa. Deseja se livrar da incômoda tarefa o quanto antes. Macho acredita que seduz somente fora do casamento. Quando se fixa demoradamente numa jovem, quando pisca o olho a uma estranha, quando dá em cima de uma beldade, quando examina a bunda de uma gostosa. Confia que flertar e soltar indiretas são suficientes para garantir seu domínio territorial. Sua tese é parecer disponível em tempo integral, ainda que comprometido. O conceito masculino é esquisito, feito de verdades parciais. Há sutilezas inacreditáveis em seu raciocínio. Não enxerga problema em pular a cerca desde que não visite a casa. Alega que não tem segundas intenções, mas troca sorrisos abobados com terceiras. Suas desculpas mudam de acordo com o contexto. Grande parte dos varões erra na arte da conquista. A falha é reforçar a caricatura, confundir ficha corrida com reputação, cair na cilada de provérbios populares como “fama de rico e comedor não se desmente”. Carrego, portanto, a certeza de que o maior sedutor não é o malandro, não é o esperto, mas o monogâmico. O fiel. O que tem olhos apenas para sua a patroa. Ele não pescará decotes mais profundos na vizinhança. Deslizará protetor em sua mulher, com calma oriental, comovido, o olfato sinceramente interessado. Acompanhará as mãos com o corpo. No fim, se aproximará dos ouvidos para sussurrar uma barbaridade. O arrepio feminino produzirá um maremoto de cangas nas proximidades. Não precisa de mais nada para chamar atenção, toda a praia estará suspirando por ele. Abrirão uma comunidade no Orkut para homenageá-lo. Nada mais ostensivo e perigoso do que um homem amando sua esposa. Ninfetas, trintonas, lobas e septuagenárias vão se derreter por aquele barbado gentil e romântico. Vão concluir que ela é uma felizarda. Vão arrastar as pálpebras e tirar binóculos da bolsa para acompanhar detalhes de perto. Diferente da piada, a fofoca nunca vem inteira, ocorre em capítulos: – Meu Deus, ele puxa a cadeira. – Repara como ele a acompanha nas caminhadas? – Não desgruda um minuto da mão dela! – Foi buscar água de coco. Não duvido que sirva café na cama. A conclusão é que ele alcançou a glória, certo? Não, ainda é uma decisão precipitada. O público feminino não se apaixona pelo homem, mas pela mulher do sujeito. Pretende estar em seu lugar. Ocupar sua posição. Desfrutar de igual admiração. O início do amor é sempre lésbico, depois é que pode ficar heterossexual. Não custa avisar. Cuide de sua mulher antes que ela se interesse pela vida de outra esposa.


Fabricio Carpinejar

domingo, 22 de novembro de 2009

sábado, 14 de novembro de 2009

O inferno


No dia em que eu conheci o inferno
Descobri que não há fogo nem calor
Era junho, num dia típico de inverno
Era um frio destes que pedem cobertor.

No dia em que eu descobri o inferno
Muita gente em encontrei por lá
Por algumas mantia um sentimento terno
Em outras só encontrava coisas más.

No dia em que eu conheci o inferno
Descobri que o amor não é bom sentimento
Tive medo que o instante fosse eterno
E me armei vestindo a máscara do fingimento.

No dia em que eu conheci o inferno
Sorri e gargalhei como há muito não fazia
Enquanto assassinava mil dragões internos
Em meu rosto nenhuma tristeza transparecia.

No dia em que eu conheci o inferno
Eu senti raiva e conheci, de fato, a inveja
Eu quis entender o que não se explica
Eu quis ser aquela que ele corteja.

No dia em que eu conheci o inferno
Comi e bebi contemplando a fartura
Enquanto minha alma se nutria
Da mais pura e completa amargura.

No dia em que eu conheci o inferno
Tive vontade de matar e de morrer
Tive vontade de congelar no frio do inverno
Tive vontade de gritar, de enlouquecer.

No dia em que eu conheci o inferno
Eu quis ir embora, mas fui forte assim
E acabei por descobrir que o inferno
Não está fora, mas dentro de mim.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Olha só aquela estrela lá no céu
Será que existe alguém morando nela
Olha só o infinito é tão legal
o que será que vem depois, depois
Esse fato já não vai
é melhor deixar prá lá
feche os olhos não finja pra mim,
você está afim
abra os braços me diga que sim:
não sei não é resposta!

domingo, 8 de novembro de 2009

PEDAÇOS DE MIM

Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos
Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão
Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci
Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante
JáTive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas
Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir, para não enfrentar
sorri para não chorar
Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei
Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.
Martha Medeiros

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

ELA e EU

Amar é um ato

Viver é um fato
Existir, uma obrigação
Lutar, uma opção
Sonhar, um desejo
Querer, uma atitude
Amigos, uma virtude.
A vida é um conjunto de circunstâncias, você escolhe.
Não esqueça que o sonho é o primeiro passo para a realidade
E, lembre-se: A felicidade é constituída por muitos momentos
E, bons momentos, duram o tempo suficiente, para se tornarem
Inesquecíveis.